Ponto Urbe Revista do núcleo de antropologia urbana da USP 29 | 2021 Ponto Urbe 29 Dossiê: Política e diferença: miradas antropológicas para o século 21 Silvana de Souza Nascimento e Virginia Fons Edição electrónica URL: https://journals.openedition.org/pontourbe/11175 DOI: 10.4000/pontourbe.11175 ISSN: 1981-3341 Editora Núcleo de Antropologia Urbana da Universidade de São Paulo Refêrencia eletrónica Silvana de Souza Nascimento e Virginia Fons, «Dossiê: Política e diferença: miradas antropológicas para o século 21», Ponto Urbe [Online], 29 | 2021, posto online no dia 12 janeiro 2022, consultado o 12 janeiro 2022. URL: http://journals.openedition.org/pontourbe/11175 ; DOI: https://doi.org/10.4000/ pontourbe.11175 Este documento foi criado de forma automática no dia 12 janeiro 2022. This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License. Dossiê: Política e diferença: miradas antropológicas para o século 21 1 Dossiê: Política e diferença: miradas antropológicas para o século 21 Silvana de Souza Nascimento e Virginia Fons 1 Este dossiê resulta de um proveitoso encontro entre antropólogas e antropólogos vinculados a duas universidades, a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Autônoma de Barcelona (UAB) que ocorreu em junho de 2021 em um seminário on line: “Política e diferença: novas perspectivas antropológicas para o século 21”. Estudantes de pós-graduação em Antropologia de ambas universidades puderam apresentar suas pesquisas, com a presença de docentes debatedores(as)1, ao longo de dois dias de interlocuções acadêmicas e debates. As apresentações de trabalhos dos estudantes da UAB foram posteriormente transformadas em artigos para que pudessem ser publicados na Revista Ponto.Urbe. E os estudantes da USP transforaram suas apresentações em textos para publicação na Revista Perifèria, ainda no prelo 2. 2 Este seminário, que ocorre a cada três anos, faz parte das atividades programadas de um convênio internacional selado entre os departamentos de Antropologia da USP e da UAB, que existe há mais de dez anos, e que hoje é coordenado por nós, as organizadoras deste dossiê. Inicialmente, o evento seria realizado na forma presencial, em maio de 2020, em ambas universidades e com conexões remotas entre elas. Contudo, com o advento da pandemia de Covid-19, foi postergado para o ano seguinte, sendo totalmente on line. Com o propósito de trazer para o debate acontecimentos sociais e políticos que sacudiram as realidades globais nestes últimos anos, a proposta foi refletir sobre as pandemias, as formas de revolta e protesto, os ativismos, as políticas públicas, as transformações sociais, entre outras problemáticas, elementos que têm ajudado a compreender melhor o contexto ibero-americano no momento presente. 3 Assim, por meio de diferentes perspectivas antropológicas gestadas por novas gerações de pesquisadoras e pesquisadores em Antropologia, o dossiê traz seis artigos, que oferecem pesquisas etnográficas produzidas na América-Latina, especialmente no Chile, na Catalunha e na Espanha, e fazem reflexões atravessadas por temáticas sobre a pandemia de Covid-19, movimentos sociais, políticas públicas, violências institucionais e corporalidades. Ponto Urbe, 29 | 2021 Dossiê: Política e diferença: miradas antropológicas para o século 21 2 4 O artigo de Laura Fontan Sierra, “Los lazos sociales durante la pandemia wigka: preservación, restricciones e interacción en las comunidades mapuche del sur de Chile”, faz uma descrição densa, a partir de pesquisas de campo, sobre a maneira pela qual os povos mapuche, no Chile, produziram estratégias locais para lidar com a chegada da pandemia do Covid-19, criando dilemas culturais e políticos. Ainda no Chile, o texto de Inti Fernando Fuica Rebolledo, “Pasado y presente de la relación Estado-población pobre en Chile: de la historicidad del ‘programa Familias’ como política pública”, analisa um programa de política pública destinado a populações vulneráveis neste país, demonstrando suas raízes históricas no século 19 e suas transformações no tempo presente como uma proposta de assistência social do Estado chileno de superação da pobreza. 5 No contexto catalão, o dossiê traz três artigos, com temas bastante diversos que tratam de educação e migração, sexualidade e esporte. O primeiro, de Manuel Ulloa-Cortés, “Trayectorias educacionales de niños/as migrantes como refugiados/as y el abandono escolar en Catalunya, Barcelona”, aborda a evasão escolar no ensino fundamental e suas consequências para o desenvolvimento cultural e pedagógico de crianças migrantes em situação de refúgio na capital catalã. O segundo, de Gloria E. Casanova Molina, “Cuerpos ficticios, identidades falseadas: la construcción socio-médica de la(s) intersexualidad(es)”, apresenta um panorama histórico sobre como o tema das pessoas intersexo tem sido abordado na antropologia e nos estudos sobre sexualidade e, posteriormente, faz um breve relato de como esta questão tem sido tratada em Barcelona por ativistas. O terceiro, de Meline Margaryan, “Football and the self- determination process in Catalonia (2012-2021): finding gaps in the literature”, discorre sobre como o futebol catalão, a partir da pesquisa em dois clubes, articulou o tema da independência na Catalunha em relação ao estado espanhol, e como tem articulado aspectos políticos neste esporte. 6 Por último, e não menos importante, o artigo de Edurne de Juan Franco, “Sobrevivencias de la psiquiatría: una aproximación a las subjetividades de la violencia institucional y los activismos loco”, descreve e analisa experiências de pessoas que passaram por instituições psiquiátricas e estratégias de resistência a partir de grupos de apoio à saúde mental e, especialmente, o movimento louco na cidade de Madrid e sua luta anti-manicomial. 7 Assim, iniciamos o dossiê com o enfrentamento da pandemia pelos povos mapuche no Chile e terminamos com o orgulho louco em Madrid, demonstrando que instigantes perspectivas antropológicas têm sido elaboradas pelas jovens gerações de pesquisadoras e pesquisadores que têm centrado sua atenção em problemas sociais e políticos que atravessam o contexto ibero-americano e têm demonstrado, assim, a relação fundamental entre política, diferença e antropologia para tentar compreender o tempo presente e sobreviver às crises, às contradições e aos conservadorismos do mundo atual. 8 Boa leitura! Ponto Urbe, 29 | 2021 Dossiê: Política e diferença: miradas antropológicas para o século 21 3 NOTAS 1. Agradecemos a colaboração de docentes do departamento de Antropologia da USP, que se dispuseram a ler e discutir os textos dos estudantes: Ana Claudia Marques, Heloísa Buarque de Almeida, João Felipe Gonçalves, Júlio Simões, Laura Moutinho e Márcio Silva. 2. https://revistes.uab.cat/periferia AUTORES SILVANA DE SOUZA NASCIMENTO Professora do departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo e atual editora executiva da Revista Ponto.Urbe. VIRGINIA FONS Professora do departamento de Antropologia Social da Universidade Autônoma de Barcelona. Ponto Urbe, 29 | 2021