Artigo Traduzido/Translated Article DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7968.2023.e96477 A AUDIOLEGENDAGEM Anna Matamala1 1 Universitat Autònoma de Barcelona Tradução de Willian Henrique Cândido Moura2 2 Universidade Federal de Santa Catarina Resumo: Esta é uma tradução1 do catalão ao português brasileiro do texto “L’audiosubtitulació”, publicado inicialmente como um capítulo do livro Accessibilitat i traducció audiovisual, pela Eumo Editorial (Matamala, 2019). Neste texto, primeiramente, a autora define o que é a audiole- gendagem, classifica os tipos, apresenta as características essenciais e as diretrizes convencionadas e, por último, resume as principais pesquisas desenvolvidas sobre essa modalidade de tradução audiovisual. Meu obje- tivo com a tradução deste trabalho é apresentar a leitoras e leitores brasi- leiros uma modalidade de tradução audiovisual praticamente inexplorada no Brasil, tanto em termos de prática e mercado, quanto em termos de pesquisa e ensino. No que tange ao processo tradutório, procurei utilizar como base teórica a perspectiva dos estudos feministas de tradução em que busquei traduzir o masculino dominante em catalão e português, por palavras genericamente neutras na língua portuguesa quando possível e, quando não, acrescentei a designação feminina correspondente. Nomes de emissoras, canais e programas de tv foram mantidos em sua língua origi- nal, respeitando-se as siglas convencionadas. Por fim, por se tratar inicial- mente de um capítulo de livro, algumas partes estruturais foram adaptadas visando a uma maior aproximação com o gênero artigo científico. Palavras-chave: tradução audiovisual, acessibilidade midiática, audiodes- crição, legendagem, voice-over. 1 (N.T.) Esta tradução se deu no âmbito de um estágio de pesquisa proporcionado pelo Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior e realizado no grupo de pesquisa TransMedia Catalonia, junto à Universitat Autònoma de Barcelona. A pesquisa contou com bolsa financiada pelo programa Capes PrInt, da Universidade Federal de Santa Catarina, anexo VI - Tradução, Tradição e Inovação. Esta obra utiliza uma licença Creative Commons CC BY: http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 Anna Matamala. Tradução de Willian Henrique Cândido Moura AUDIO SUBTITLING Abstract: This is a translation of the text “L’audiosubtitulació”, from Catalan to Brazilian Portuguese, initially published as a chapter of the book Accessibilitat i traducció audiovisual by Eumo Editorial (Matamala, 2019). In this paper, initially the author defines what audio subtitling is, classifies the types, presents the characteristics and guidelines, and finally summarizes the main research carried out on this mode of audiovisual translation. The aim of this translation is to present to Brazilian readers a mode of audiovisual translation that is practically unexplored in Brazil, both in terms of practice and market and in terms of research and teaching. Feminist translation studies were the theoretical basis for this translation, in which we translate the dominant masculine in both Catalan and Portuguese, using generically neutral words in Portuguese. When this was not possible, we added the equivalent feminine noun in the text. We kept the names of broadcasters, channels, and TV programs in their original language, respecting their acronyms. Finally, as it was initially a book chapter, we adapted some structural parts, aiming to be closer to the scientific article genre. Keywords: audiovisual translation, media accessibility, audio description, subtitling, voice-over. O que é a audiolegendagem? A audiolegendagem consiste na conversão de legendas escritas em palavras faladas. Quando o público não compreende o original e não consegue ler as legendas, é oferecida uma alternativa sonora, por exemplo, em um filme catalão legendado em português2, podemos criar audiolegendas em português. Por outro lado, não faz sentido fazer a audiolegendagem de um filme brasileiro legendado em português, pois o público consumidor já entende o original. 2 (N.T.) No original, tendo em vista seu contexto de publicação, foi utilizado o japonês como exemplo de língua-fonte e o catalão como exemplo de língua-alvo. Na tradução, visando a uma maior aproximação com leitoras e leitores brasileiros, optei por substituir a língua-fonte por catalão e a língua-alvo por português. Cad. Trad., Florianópolis, v. 43, p. 01-18, e96477, 2023. 2 A audiolegendagem As audiolegendas podem ser um serviço de acessibilidade independente ou integrado à audiodescrição. Uma pessoa com dificuldade de leitura pode querer apenas ativar a leitura em voz alta das legendas, sem precisar ouvir a descrição dos outros elementos visuais, pois já tem acesso a eles. Nesse caso, apenas a audiolegendagem é necessária. Por outro lado, uma pessoa com deficiência visual provavelmente desejará tanto a descrição das imagens quanto a leitura em voz alta das legendas, ou seja, ela precisará de uma audiodescrição com audiolegendagem. A audiência consumidora da audiolegendagem inclui uma ampla gama de usuários e usuárias: pessoas que não conseguem ver as legendas, pessoas que as veem, mas não conseguem ler adequadamente devido à dislexia ou a dificuldades de leitura, pessoas com deficiência cognitiva e até mesmo pessoas que estão aprendendo o idioma e se beneficiam ao receber a informação pelo canal oral e escrito simultaneamente. A audiolegendagem em catalão Os países pioneiros em audiolegendagem como um serviço independente são Holanda (Verboom et al., 2002), Dinamarca (Thrane, 2013) e Suécia (Nielsen & Bothe, 2008; Ljunglöf, Derbring & Olsson, 2012). Apenas oito das 36 emissoras de televisão que responderam a uma pesquisa da European Broadcasting Union (EBU)3 em 2016 afirmaram que oferecem audiolegendas. Essas emissoras estão localizadas na Finlândia, Suécia, Noruega, Dinamarca, Estônia, Bélgica, Holanda e Espanha. No último caso, o relatório (EBU, 2016) especifica que a oferta vem da CCMA, 3 (N.T.) A European Broadcasting Union (EBU) é a principal aliança mundial de meios de comunicação de serviço público. Os países membros operam cerca de 2.000 canais de televisão, rádio e outros serviços públicos de mídia on-line espalhados por todo o mundo. Cad. Trad., Florianópolis, v. 43, p. 01-18, e96477, 2023. 3 Anna Matamala. Tradução de Willian Henrique Cândido Moura e não da RTVE4. O relatório também observa que a quantidade de audiolegendas varia muito: enquanto os países nórdicos e Flandres5 oferecem todos os programas — ou quase todos — com audiolegendas, a CCMA oferece apenas 2%. Isso está diretamente relacionado à quantidade de conteúdo legendado que é transmitido em cada emissora de televisão. No caso da CCMA, a audiolegendagem começou em 2015 e é usada principalmente para intervenções em línguas estrangeiras em telejornais, mas também para alguns documentários. Por exemplo, se um político estrangeiro faz declarações em alemão, essas declarações são legendadas em catalão e o público tem a opção de ouvir essas legendas em catalão em voz alta, por meio de um programa de síntese de fala6. Por sua vez, as audiolegendas como um serviço integrado à audiodescrição são encontradas em todos os países onde a audiodescrição é oferecida e dependem do conteúdo. Em catalão, é comum encontrá-las em filmes multilíngues que possuem trechos legendados e em alguns musicais legendados. Também costumam ser encontradas em programas educativos e programas de reportagens, como Cases d’algú, Sense ficció, Katalonski ou Origen Catalunya. Na CCMA, foram oferecidas 730 horas de legendas de telejornais acessíveis durante o ano de 2018 (CCMA, 2019). Esse número foi superior às 477 horas de 2017, às 299 horas de 2016, e às 622 horas de 2015. 4 (N.T.) Corporació Catalana de Mitjans Audiovisuals (CCMA) e Corporación de Radio y Televisión Española (RTVE) são duas emissoras públicas da Espanha. A CCMA é responsável pela veiculação de programas em catalão e a RTVE, em espanhol. 5 (N.T.) Refere-se à região da Bélgica cuja língua oficial é o holandês (ou neerlandês, ou, ainda, flamengo). Em português, também encontram-se referências a Flandres como região flamenga ou região flamenga da Bélgica. 6 (N.T.) Produção artificial de fala humana. Cad. Trad., Florianópolis, v. 43, p. 01-18, e96477, 2023. 4 A audiolegendagem Classificação As audiolegendas têm pontos em comum com outras modalidades de tradução audiovisual: partem da legendagem para gerar uma versão oral que lembra o voice-over ou a dublagem. Em alguns casos, são combinadas com a audiodescrição, de modo que as relações entre audiolegendagem e outras modalidades são estreitas. As audiolegendas, que em inglês apresentam diferentes nomenclaturas — audio subtitles, spoken subtitles, spoken captions, audio captions, audio text —, podem ser classificadas segundo diversos critérios. Inicialmente, é possível diferenciar dois tipos de audiolegendas: audiolegendas que estão integradas à audiodescrição e audiolegendas que são independentes da audiodescrição. Nesse sentido, um exemplo do primeiro tipo seria um filme audiodescrito que incorpora audiolegendas na audiodescrição. Por sua vez, um exemplo do segundo tipo seriam as audiolegendas sem audiodescrição de um filme legendado. De acordo com o momento em que são criadas e emitidas, podemos distingui-las entre audiolegendas gravadas com preparação prévia e audiolegendas ao vivo, com ou sem preparação prévia. No caso das audiolegendas criadas ao vivo, sempre há a possibilidade de gravá-las para que sejam emitidas posteriormente. Segundo o processo de criação e o tipo de voz, existem audiolegendas com voz humana e audiolegendas criadas mediante síntese de fala. A geração da voz sintética pode ocorrer na fonte ou diretamente no dispositivo da pessoa que estiver utilizando a audiolegendagem. Nos casos em que são geradas automaticamente por meio de síntese de fala, o programa precisa de um arquivo de legendas em formato de texto para gerar o áudio. Esse é o sistema utilizado pela emissora finlandesa YLE, conforme explicam Orero et al. (2020). Quando não se dispõe desse arquivo porque as legendas estão incorporadas ao vídeo, podem ser utilizados programas de reconhecimento óptico de caracteres para gerá-las. Esse é o sistema que a emissora holandesa NPO desenvolveu em 2001, segundo apontam Orero et al. (2020), que acrescentam um Cad. Trad., Florianópolis, v. 43, p. 01-18, e96477, 2023. 5 Anna Matamala. Tradução de Willian Henrique Cândido Moura terceiro sistema ainda não implementado: a utilização de leitores de tela em dispositivos móveis para ler os arquivos de legendas. Nos casos em que as audiolegendas são lidas por uma pessoa, elas podem ser interpretadas de maneira dramatizada, como se fosse um filme dublado, ou de maneira menos enfática, como se fosse um documentário com voice-over. De fato, as características prosódicas juntamente com a maneira como se sincroniza o original e as audiolegendas permitem diferenciar entre as audiolegendas com efeito de dublagem e as audiolegendas com efeito de voice- over. Enquanto nas primeiras as audiolegendas substituem totalmente a pista de áudio original, que não se ouve, nas segundas, as audiolegendas podem ser ouvidas sobre o original. Ainda em relação às vozes, podemos classificar dois tipos de audiolegendas: as que são lidas com uma única voz e as que são lidas com diversas vozes. Nessas últimas, podemos distinguir aquelas que usam uma voz diferente para cada personagem das que usam duas vozes para todo o conjunto: uma mesma voz para os personagens homens e uma mesma voz para as personagens mulheres. Em relação à sincronia, é possível estabelecer outra diferenciação: audiolegendas que são lidas ao mesmo tempo em que aparecem as legendas na tela (sincrônicas) e audiolegendas que são lidas antes ou depois (assincrônicas). Outra distinção faz referência ao grau de edição: existem audiolegendas literais, que reproduzem linha por linha a legenda na tela, e audiolegendas editadas, que apresentam modificações. Do ponto de vista técnico, é preciso distinguir entre as audiolegendas que já chegam à audiência consumidora mescladas desde a emissora, e as audiolegendas que são mescladas no dispositivo pessoal de usuários e usuárias. A norma ISO sobre audiolegendagem indica que cada serviço de acessibilidade deveria ter uma pista de áudio diferente e que o público telespectador deveria poder ativá-las ou desativá-las separadamente ou simultaneamente segundo suas preferências. Cad. Trad., Florianópolis, v. 43, p. 01-18, e96477, 2023. 6 A audiolegendagem Principais características Em muitos casos, o processo de geração de audiolegendas está automatizado e recorre-se a tecnologias como a síntese de fala. No entanto, também há situações em que as audiolegendas são criadas manualmente, às vezes de maneira integrada à audiodescrição, sendo necessário levar em consideração uma série de diretrizes técnicas e linguísticas. Resumimos grande parte dessas diretrizes a partir das recomendações da norma ISO/IEC TS 200071-25:2017, as quais expomos a seguir. Identificação das audiolegendas Quando as audiolegendas são integradas em uma audiodescrição, é importante que a audiência consumidora saiba distinguir entre elas. Isso pode ser alcançado por meio de várias técnicas: a. Uso de vozes diferentes para a audiodescrição e para as audiolegendas; b. Uso de uma entonação diferente; c. Uso de uma palavra descritiva que indique claramente que se trata de uma audiolegenda. Por exemplo: “Legenda”. Identificação de personagens Quando as audiolegendas reproduzem as falas de várias personagens, é necessário encontrar uma maneira para que o público consumidor saiba quem está dizendo o quê. Isso pode ser feito por meio do: a. Uso de vozes diferentes para cada personagem; b. Acréscimo do nome da personagem ou alguma indicação antes da leitura da audiolegenda; c. Uso do discurso indireto; d. Uso do efeito de voice-over, de modo que se ouça a voz original e seja possível identificar a personagem. Cad. Trad., Florianópolis, v. 43, p. 01-18, e96477, 2023. 7 Anna Matamala. Tradução de Willian Henrique Cândido Moura Sincronização Um dos principais problemas é a sincronização de legendas e áudio, que fica especialmente perceptível quando há abreviações ou números nas legendas. Nesse caso, a solução é aumentar a velocidade de leitura ou modificar as audiolegendas. Edição das legendas As legendas podem ser lidas literalmente, mas também podem ser modificadas e adaptadas. Por exemplo, elas podem ser encurtadas para caber no espaço disponível. Quando coexistem vários textos na tela, pode ser necessário escolher o mais relevante e omitir os demais. Também pode acontecer justamente o contrário: podem ser adicionados traços de oralidade do original que se perdem no processo de legendagem. O processo de audiolegendagem Há casos em que o processo é automatizado e não há a intervenção profissional humana. No entanto, às vezes é preciso combinar audiodescrição e audiolegendagem. Nesse caso, é necessário seguir as mesmas indicações que foram dadas para realizar a audiodescrição. Vejamos dois exemplos, um com conteúdo gravado e outro com conteúdo ao vivo. O projeto VIW (Visuals into Words) solicitou a várias empresas que fizessem uma audiodescrição profissional do mesmo conteúdo: um curta-metragem em inglês, disponível também em versão dublada em catalão e versão dublada em espanhol. No final, o curta incluía um pequeno trecho em francês legendado em inglês, catalão ou espanhol, de acordo com a versão. As pessoas contratadas para fazer a audiolegendagem abordaram de maneira diferente a integração das audiolegendas com a audiodescrição: algumas usaram a mesma voz e outras usaram vozes diferentes; algumas pessoas usaram uma Cad. Trad., Florianópolis, v. 43, p. 01-18, e96477, 2023. 8 A audiolegendagem voz enfática e outras optaram por uma voz mais neutra; algumas editaram as legendas e outras leram literalmente. No caso de conteúdos ao vivo, um exemplo de audiolegendagem em catalão são as óperas. As óperas são cantadas na língua original e geralmente são acompanhadas de surtitles7 ou legendas. Em 2005, no Liceu8, realizou-se um experimento de audiolegendagem com a versão orquestrada da ópera Roberto Devereux, de Gaetano Donizetti, na qual a audiodescrição era mínima. Nesse caso, o profissional lia as legendas em voz alta de modo que elas obstruíssem a música o mínimo possível, o que provocava um efeito de voice-over. Contrariamente ao que se esperava, o público recebeu favoravelmente essa prática, que lhes permitia ter acesso a um texto até então desconhecido. No entanto, é preciso dizer que essa prática nem sempre é bem-recebida em todos os lugares, especialmente por pessoas melômanas que já conhecem as óperas e querem desfrutar plenamente delas. Normas técnicas e recomendações Em relação às normas técnicas internacionais sobre audiolegendagem, há a ISO/IEC TS 20071-25:2017 Information technology — User interface component accessibility — Part 25: Guidance on the audio presentation of text in videos, including captions, subtitles and other on-screen text. Essa diretriz, coeditada por Ester Hedberg e Anna Matamala, fornece recomendações sobre como apresentar auditivamente os textos escritos que aparecem em vídeos: isso inclui as legendas, mas também outros textos na tela, como títulos, letreiros, créditos ou gráficos com texto. 7 (N.T.) Surtitling é uma modalidade de tradução audiovisual originada a partir da legendagem. De modo bem geral, surtitles, ou seja, o produto da surtitling, são legendas costumeiramente utilizadas em óperas e teatros, estão localizadas na parte superior do palco e apresentam a tradução do que está sendo performado. Para mais informações, vide Mateo (2007), Oncins (2015) e Secară (2019). 8 (N.T.) Gran Teatre del Liceu é o maior e mais antigo teatro de ópera de Barcelona. Cad. Trad., Florianópolis, v. 43, p. 01-18, e96477, 2023. 9 Anna Matamala. Tradução de Willian Henrique Cândido Moura Há ainda outras diretrizes e recomendações sobre audiodescrição que aconselham como transferir os textos em tela ou as legendas de forma sonora, as quais são indicadas a seguir. 5. BAI access rules (BAI, 2019); 6. Netflix audio description style guide v2.5 (Netflix, 2023); 7. ISO/IEC TS 20071-21 Information technology - User interface component accessibility. Part 21: Guidance on audio descriptions; 8. Ofcom’s code on television access services (Ofcom, 2017); 9. ADLAB audio description guidelines (Remael, Reviers & Vercauteren, 2015), com um capítulo específico sobre audiodescrição de texto em tela (Matamala & Orero, 2015); 10. Described video best practices. Artistic and technical guidelines (AMI & CAB, 2013); 11. Audio description background paper (Mikul, 2010); 12. Audio description standards (ACB, 2010); 13. Audio description guidelines for Greek - A working document (Georgakopoulou, 2010); 14. La charte de l’audiodescription (Morisset & Gonant, 2008); 15. UNE 153020 Audiodescripción para personas con discapacidad visual. Requisitos para la audiodescripción y elaboración de audioguías (AENOR, 2005); 16. Wenn aus Bildern Worte werden: durch Audio-Description zum Hörfilm (Benecke & Dosch, 2004); 17. ADI guidelines for audio description (ADI, 2003); 18. ITC guidance on standards for audio description (ITC, 2000). No que tange às diretrizes da audiolegendagem em catalão, Puigdomènech, Matamala & Orero (2007) têm uma seção específica sobre a audiodescrição de elementos falados. O livro de estilo da CVMC (2017)9 também faz referência aos elementos gráficos que 9 (N.T.) Corporació Valenciana de Mitjans de Comunicació (CVMC) é uma emissora pública de televisão espanhola localizada na Comunidade Valenciana. Cad. Trad., Florianópolis, v. 43, p. 01-18, e96477, 2023. 10 A audiolegendagem aparecem na imagem e à necessidade de incluir essa informação no roteiro da audiodescrição, que deverá ser incluída mesmo que de maneira breve se houver restrições de sincronização. No que diz respeito à CCMA (2017), não há nenhuma seção específica no portal de recomendações. Também não há nenhuma referência no livro de estilo do IB310 (Company & Puigròs, 2006), já que esse serviço não é oferecido. A pesquisa em audiolegendagem A pesquisa em audiolegendagem ainda é incipiente11. Existem estudos de caráter técnico que descrevem soluções em países específicos. Verboom et al. (2002) descreveram a experiência da emissora holandesa NOS que, em 2001, começou a transmitir audiolegendas automáticas. Slik, Jonglebloed & Van Staalduinen (2013) detalharam como convertem as legendas embutidas na imagem em um fluxo de dados separado que pode ser lido com síntese de fala. Por sua vez, Nielsen & Bothe (2007) apresentaram o projeto SUBPAL, que também usa o reconhecimento óptico de caracteres para ler as legendas. Hanzlicek, Matousek & Tihelka (2008) descreveram soluções técnicas que melhoram a sincronização e, na Suécia, Ljunglöf, Derbring & Olsson (2012) apresentaram uma ferramenta de acesso aberto dentro do projeto SubTTS que permite a leitura automática das legendas. 10 (N.T.) A IB3 é a empresa pública de televisão espanhola da comunidade autônoma das Ilhas Baleares. 11 (N.T.) No Brasil, a audiolegendagem é praticamente inexplorada no âmbito da pesquisa. No artigo de Franco & Araújo (2011), foi encontrada uma menção a essa modalidade de tradução audiovisual ao se referir à audiodescrição do filme Ensaio sobre a cegueira, que contou com audiolegendas em sua versão oficial em DVD. Mais recentemente, Silva, Jesus & Soares (2022) publicaram um artigo relatando uma experiência de tradução audiovisual acessível (TAVA) em que dentre outras modalidades de TAVA, trabalhou-se com a audiolegendagem. As pesquisadoras expuseram alguns desafios relativos à produção de audiolegendas em contexto remoto, uma vez que a prática foi realizada durante a pandemia de covid-19. Cad. Trad., Florianópolis, v. 43, p. 01-18, e96477, 2023. 11 Anna Matamala. Tradução de Willian Henrique Cândido Moura Existem pesquisas descritivas que relatam práticas diversas. Em um artigo pioneiro, Orero (2007) investigou a audiolegendagem na ópera e descreveu uma experiência no Liceu, em Barcelona. Braun & Orero (2010) analisaram os primeiros dez minutos de 14 filmes e estabeleceram as bases de muitas pesquisas futuras em audiolegendagem: mencionaram aspectos como a atribuição de vozes e a identificação das personagens, o efeito na locução (dublagem/ voice-over), a adaptação que se faz das legendas e sua integração com a audiodescrição. Benecke (2012), por sua vez, focou na audiolegendagem de filmes dublados. Remael (2012) analisou o contexto flamengo e observou dois filmes multilíngues. Um desses filmes serviu para o estudo posterior de Reviers & Remael (2015), que colocou o foco na coesão multimodal. Harrouet (2016), por sua vez, analisou o multilinguismo em 38 cenas de filmes e abordou, entre outros aspectos, a identificação de personagens e o tipo de voz. A partir dessa análise, e de entrevistas com profissionais e com o público consumidor, a autora propôs algumas recomendações. Também existem abordagens experimentais na audiolegendagem. Thrane (2013) estudou a audiolegendagem por meio de síntese de fala na televisão digital a partir da análise do serviço piloto da televisão dinamarquesa no canal DR1Syn. Essa pesquisadora avaliou a recepção por parte da audiência consumidora de vários gêneros audiolegendados, e constatou que as notícias são os conteúdos mais bem valorizados. Em sua pesquisa, Hernández (2017) comparou a recepção de conteúdos audiolegendados e legendados com dois grupos etários de uma audiência consumidora vidente para avaliar a compreensão, a aceitação e as preferências. Iturregui- Gallardo (2019) defendeu a primeira tese de doutorado sobre audiolegendagem na qual mediu o efeito que tem o uso de voice- over ou de dublagem na ativação emocional. Essa tese está inserida no projeto NEA, em que se usam medidas psicofisiológicas para avaliar a resposta emocional dos usuários (Matamala et al., 2020). Além do experimento, foi incorporado à tese um capítulo de revisão do estado da arte e uma análise de corpus em que Iturregui-Gallardo analisou as audiolegendas de seis filmes multilíngues. O mesmo Cad. Trad., Florianópolis, v. 43, p. 01-18, e96477, 2023. 12 A audiolegendagem autor publicou um estudo sobre como transmitir o multilinguismo por meio das audiolegendas (Iturregui-Gallardo, 2020). Para concluir, diremos que, embora a pesquisa seja incipiente e a prática não esteja estendida, as audiolegendas são necessárias para garantir o acesso aos conteúdos audiovisuais por parte de todas as pessoas. Agradecimentos Meus mais profundos agradecimentos à autora, professora Anna Matamala, e à responsável pela Eumo Editorial, Gemma Redortra, por terem autorizado a tradução e a publicação deste texto em língua portuguesa. Para acessar a obra original em língua catalã, vide Matamala (2019). Referências ACB. Audio description guidelines and best practices, v. 3.1. 2010. 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